Ecos do meu nome

Este espaço

Não é sobre aprimoramento pessoal, tampouco estabilidade emocional,  trata-se de reflexões de uma mente em movimento. Um espaço para pensar ...

novembro 14, 2024

Apenas continuar

 

Ah, se eu tivesse aprendido a viver enquanto só estava existindo.
Ah, se eu tivesse aprendido a escolher enquanto só estava me aventurando.
Ah, se eu tivesse aprendido seguir em frente enquanto só estava remoendo os traumas.
Ah, se eu tivesse aprendido que lamentar o passado é mais doloroso que recomeçar.

 

Ah, se eu tivesse, se eu soubesse, se eu aprendesse, não teria chegado até aqui com todas as bênçãos, experiências e lembranças que tenho.
Ah, se eu não fosse grata, acabaria esse texto me lamentando por tudo que vivi, mas agradeço por ter chegado até aqui.

 

Só recentemente aprendi que ao contrário do que já mencionei aqui e ali, "quem me abraçou diversas vezes não foi a morte", em vez disso, a vida me acolheu e me deu várias oportunidades para continuar, tentar novamente, sem cobrar ou pedir  garantias, me permitindo por várias vezes apenas continuar.

outubro 12, 2024

Eu me sufoco

 

Às vezes do nada, sem nenhuma explicação plausível, começo a me questionar e sofrer muito com isto que eu nem chamo mais de diálogos mentais, estão mais para o lado de conflitos covardes.

 É justamente isso, covardia que realizo copiosamente contra mim, me agredindo insistentemente apenas para justificar atitudes que reconheço como inválidas e desnecessárias.

Da mesma forma me questiono com o fato de estar nesse mundo com uma bagagem que fui fazendo e hoje carrego me desgastando com o peso. Por outro lado tenho sempre me acalentado com o fato de estar “entre aspas”, feliz. Sinto-me feliz por viver como me agrada, mesmo que muitos possam duvidar, minha solitude me deixa muito a vontade e confortável, pelo menos um lado meu concorda com isso. Por outro lado, a pessoa responsável pelos conflitos covardes, que sempre indaga minha vida, julga atitudes e decisões, me afronta sobre tudo.

E nesse momento a questão é o fato de eu não ter muitos ou quase nenhum amigo, esse lado, ou seja, eu mesma sente falta de interação, relacionamento sincero e companheirismo como vimos em filmes, séries e postagens em redes sociais, entretanto me protejo com uma opinião defensiva e formada de que isso é utopia, não crendo que um ser humano se importa tanto com o outro como expressam em filmes e demais meios de comunicação como mencionei anteriormente. Evidente que precisamos de interações sociais, como também é normal apreciar a solitude, não deveria fazer disso uma guerra emocional sem sentido.

Para deixar esclarecido, eu que gosto de solidão, prefiro estar só, mas não totalmente só o tempo inteiro. Às vezes para satisfazer as cobranças do meu próprio ser, tento me conectar, fazendo caminhada, indo à casa de minha mãe, minha irmã e visitando algumas pessoas que gosto, sendo descontraída, alegre e educada, porem ao analisar tudo a parte julgadora começa a me deixar desconfortável julgando minhas atitudes minha interação com as pessoas, minha aparência, então acabo me arrependendo de tomar a iniciativa sobre algo que eu mesma me cobrei, ou seja, o lado questionador sempre estará do lado oposto a minha reflexão, decisão ou atitude. Qualquer pessoa deve ter esse tipo de conflito e resolvam tranquilamente, mas provavelmente existam outros como eu, que sofrem com estas questões e aqueles que apenas ignoram sem preocupações ou danos como eu e as pessoas que se identificam comigo.

Mas afinal, eu gostaria de ter mais amizades? As que pensei que serem verdadeiras e  para a vida inteira simplesmente sumiram, se afastaram, me decepcionaram ou talvez eu as tenha decepcionado, mas se não tivemos uma conversa para saber o que houve e o porque nos magoamos e nunca mais nos recuperamos, isso já indica que na verdade nunca foram amizades concretas, mas simplesmente passageiras, de qualquer forma, tivemos por algum tempo, cumplicidade e um sentimento significativo e quem sabe mútuo. O fato é que não tenho mais vontade e ou paciência para conhecer pessoas tão profundamente para que nos tornemos amigos com real consideração, francamente, não acredito mais nisso, o máximo que posso ainda fazer é lutar para manter acesa algum vestígio de amizade que ainda possa existir em minha vida, sem cobranças e mais distante do que presente.

Acho que não sou antissocial, porem, excesso de interação  me sufoca.

outubro 11, 2024

Retificando outra vez, como estou

 

  UMA MULHER DE FASES  

Se precisar sou vendedora, mas não faço questão, continuo consumidora, pouco divulgadora, incentivadora sempre, orientadora talvez.
Filha, irmã, mãe, amiga e agora avó de três meninos.

Exigente, não gosto de Coca-Cola com gelo e limão, mas não dispenso com chocolate ou pamonha e a carne também mudou, pode ser ao ponto, bombons pode ser qualquer um, mas prefiro com mais cacau.
Atendente, devedora, credora. Prefiro pagar a ter que cobrar.
Pago imposto sim, sou modestamente feliz, procuro deixar o copo é mais cheio do que vazio.
Sou parte da casa que cresci, da família que me criou, dos amigos que convivi, das escolas que estudei, das coisas que acredito, do meio que vivo, dos problemas que criei, das questões que resolvi, das crises que superei, das decepções que sofri e das que causei, das doenças que me curei, das que adquiri, dos milagres que presenciei das bênçãos que recebi, eu sou assim, sou também parte de um sistema, de uma cultura, de dogmas e paradigmas e muito pouco de mim.

Amo os que me amam, não odeio os que me odeiam, nem sei se existem.
Meus amigos (ainda me restam alguns) são amigos mesmo, ou pelo menos sou amiga de verdade.
Tenho dúvidas (mas quem não tem) e pretendo continuar cheia delas?

Já fiz coisas boas, mas não o bastante, quero fazer mais.
Errei e ainda erro, não dá pra corrigir, me esforço pra errar menos e não repetir os mesmos.

Já mudei e mudo muito o visual, cabelo, estilo, gostos, não é para chamar a atenção, mas para satisfazer minhas tolices geradas pela ansiedade ou simplesmente para preencher alguns vazios que surgem na maioria das vezes a noite, de repente e fugazmente. Já mudei muito de cidade, namorado, marido e perfume, me apego facilmente e desapego mais fácil ainda. Ainda tenho sonhos, ainda faço planos, mesmo que eles mudem de tempos em tempos, sou difícil de desistir do que eu quero, apenas deixo de querer.

Sou cristã e isso não mudará.
Tenho um Deus que é acima de toda existência!
Creio no seu poder e espero a sua volta.
Jesus Voltará, mesmo que você não creia!
Pois a verdade não vai deixar de existir só por que está escondida, assim como a mentira não passará a ser verdade, só porque está sendo espalhada.

Posso ser falha demais, mas o que Ele tem reservado para mim, há de se cumprir, nenhuma folha cai ao chão sem sua permissão, tudo é pela permissão de Deus. Não julgue-me, não me conhece como Deus me conhece.

Aos que interessam tenho a oferecer minha lealdade, talvez eu até seja confusa, mas caráter não tem a ver com sobriedade. Não importa meu estado de humor, mania ou depressão, não é da minha índole trair, magoar e ofender, entretanto, posso amar ou desprezar com a mesma intensidade, vai depender do incentivo.

Insistentemente



Digitando e excluindo nesse bloco de notas insistentemente, posicionada  frente a uma tela forçando minhas vistas já embaçadas e gastas por motivos óbvios, testando a tolerância de minha coluna vertebral já com meia vida assim como os olhos. Insistentemente por minutos, ou horas, não estou marcando o tempo, e lamentavelmente nada se desenvolve, mesmo que algumas palavras iniciais fluam. No entanto, não progridem. Como se não houvesse nenhuma memória utilizável em minha massa cinzenta que aparentemente se encontra  vazia e sem vida, nenhuma lembrança boa ou ruim, tampouco planos, sonhos ou esperanças, contudo, continuo aqui insistindo no ofício e exercício como aprendiz de escritora que sou. Como nada floresce em minha mente para que eu registre e sirva de reflexão ou referencia através das experiências vividas, numa possível comparação de períodos entre oscilações de humor, comportamento e quem sabe até mudança de hábitos e ambiente, quando meu eu do futuro surgir remexendo, bisbilhotando e questionando meu eu do passado, o que é comum acontecer. E assim  sentimentos de indignação e defesa de meu ego insuportável que não pode ser contrariado, nem por ele mesmo, eu sei que é estranho isso, mas é a única forma que consigo explicar o que me ocorre mentalmente nesse momento de ausência total de senso de ridículo e responsabilidade dos próprios pensamentos, entretanto ser escritor dá certa liberdade para contrariar as regras e desafiar os limites e princípios, existe uma licença pra isso. Bom pelo menos eu acho que sim, não estou certa disso e decididamente não tenho a menor intenção de confirmar esta afirmação, apenas ocorreu-me no momento, não sei se li em algum lugar ou inventei para desarranjar esse texto que já está bastante confuso, até pra mim. Não sei ao certo que estilo de escritora sou eu, mas também não sei nem que tipo de pessoa sou eu, talvez eu seja fragmentada, como já suspeito há anos. Costumo brincar que nem se desenterrassem Freud e o próprio me analisasse em período integral até que morra novamente, teria uma resposta pra isso, imagine eu. 
Pois bem, apesar de tudo, de todo fracasso em criar algo, insistirei em formular o que “penso e o que sinto”, como já disse anteriormente, usando o benefício poético onde cita que posso mentir e mentir e inventar é criar, é apenas arte. Como se fosse resolver alguma coisa esse pretexto,
deixarei claro que gostaria de não fazer isso, entrar em desacordo com meus desejos contrariando minha sensatez e pouca lucidez momentânea. Como percebe-se  comecei enredar esse momento, e surpreendentemente está dando certo, pois já deu um solavanco em meu juízo, mas claro que ainda não tenho nenhuma inspiração para poemas, já que um safanão não serve pra isso e se eu escrever um conto certamente não teria intenção e muito menos desejo de ler, nem interessante para publicar e provavelmente tentarei refazê-lo imediatamente ao retomar o equilíbrio, melhor nem começar. Só que algo insiste e me impulsiona, me obriga a escrever, devido a outras experiências passadas que tive o mesmo problema que provavelmente está registrado em algum lugar. Continuo já que uma sensação febril na cabeça que só cessa com palavras sendo debulhadas a minha frente, é sempre assim, com certeza esse será um daqueles textos que a princípio não entenderei porque gastei tempo tentando escrever e não desisti de me expressar, seja lá como for, sou uma escritora e isso quer dizer que sou pensadora e nada vem de graça, merece esforço e dedicação. 
Pois bem, tenho um sentimento muito confuso que me rodeia agora, como se fosse novidade confusão em minha mente. Apesar de não parecer ruim, está incompleto e não estou entendendo porque  brotou e não se desenvolve, está estagnado. Entretanto não se trata de alguém que eu me lembre ou algo que aconteceu, é só um sentimento estacionado me incomodando, talvez já esteja recuando, sinto que está sem vida como se fosse uma rosa que nasce começa a destacar-se e covardemente é colhida, tirada, não chega a se desenvolver completamente,   murcha, seca e morre. Pereceu porque foi cortada, até durou alguns dias por receber alguns cuidados ou simplesmente pela resistência de sua natureza, mas sucumbiu, não por vontade própria, mas por ter sido cortada, simplesmente desassociada de seu sustento, posteriormente usada por um tempo, contemplada, elogiada, no entanto, acabou o perfume, o brilho e por fim seu tempo venceu, sem alimento, pereceu.
 Ocorreu-me outra metáfora a respeito desse sentimento. Um cometa me parece bem semelhante, mesmo que eu seja totalmente leiga sobre o assunto, arriscarei. Suponhamos que um corpo celeste tenha sido identificado pelos astrônomos e de alguma forma a informação vazou e a imprensa impulsionou rapidamente a novidade aos quatro cantos do planeta, afirmavam com certeza nas notícias que o mesmo poderia ser observado, mesmo que esteja bem longe da órbita terrestre, há bilhões de quilômetros. Mesmo sendo duvidosa a notícia de sua existência, sua aproximação e possível visibilidade causam excitação, euforia e muitas expectativas. Mas de repente ao invés de se aproximar da terra como foi anunciado e era esperado, informaram que o objeto mudou seu curso por algum motivo e se foi, seguiu seu rumo. Só restaram rumores sobre ele, quem sabe até pôde ser visto de longe em segredo, mas acabou, ficaram lembranças da bagunça que causou, dos anúncios e diversas matérias sobre a passagem do tal astro, constrangimento por aqueles dias que esperamos ansiosos sua vinda, mas ele se foi, era só um boato, sem comprovação aparente, só comoção, especulação, manipulação e ilusão. 
A rosa também se foi, pois foi cortada, pereceu sem alimento. E o cometa se era real, passou longe!
Não é sobre rosa ou cometa a narrativa.
Sobre sentimentos que nascem mortos, sentimentos que nascem e logo morrem, sentimentos que anunciam, fantasiam, mas não chegam a existir.
 
 
 

outubro 09, 2024

Tagarela

 

Acontece frequentemente e não é novidade pra ninguém que os mais discretos, que falam pouco, por natureza, talvez por timidez, por sensatez ou sabedoria não sejam bem interpretados pelos que falam muito, isto porque é inadmissível ao tagarela o fato de que o outro consiga processar algo sozinho, sofrer sozinho sem envolver outros, sem popularizar seu sofrimento, ou como dizem hoje em dia, uma competição infinita de desgraças. Eu intimamente gostaria de ser da parte que falam pouco e não espalham seus problemas aos quatro ventos, não sou por natureza, mas poderia praticar ainda que não alcance com excelência essa dádiva, mas que diminua pelo menos esse vicio próprio de minha natureza. Ser capaz de vigiar minhas ações, moderando minha língua e consequentemente ser mais sensata, não falar mais que o necessário, não contar meus sonhos, meus projetos, não exibir minhas obras, não demonstrar meus anseio e dores, esconder meus segredos, mas como disse no início desta resenha, ainda falta muito para conseguir refrear minha língua, já que não planejo, pelo contrário, penso o tempo todo em ficar em silêncio, mas após falar o que pensei em não falar, vejo que já falei e da vontade de me beliscar por dentro, surpreendentemente foi o que me veio a mente agora para me expressar sobre o meio que tento me punir após dizer o que prometi a mim mesma que não falaria.

Pergunto-me sempre, sim, sempre me pergunto, já que reflito nisso o tempo todo, será que ainda atingirei esse objetivo um dia e pior, será que se alcança-lo e tornar-me mais sábia e ponderada as pessoas não pensarão que estou doente?

Sobre esse assunto, quero manifestar meu interesse diário em alcançar um nível mais alto de maturidade e a partir daí, tudo será diferente. Não me torturarei intimamente como faço todos os dias desde o momento que saio de casa ou simplesmente tenho contato com outro ser humano.

Um personagem de uma série que assisti recentemente me inspirou a fazer mais esforço para que eu possa buscar sempre mais e mais, pois percebi que ficar em silêncio pode até doer no momento que retenho minha língua, mas com certeza me livrará de uma dor constante de arrependimento e martírio como acontece atualmente.

Não sou normal por almejar isto?