quinta-feira, 18 de junho de 2015

No silêncio


Quando o silêncio fala mais alto.
Ouço uma voz dentro de mim.
Que não fala coisa com coisa.
Nem mostra marcas do fim.


Quando o silêncio afeta a alma.
Sinto vontade de gritar pra dentro.
Mas, não é lícito perder a calma.
Gritar, falar, qualquer pensamento. 

Quando o silêncio vence a fala.
Sinto que tenho que me calar.
Qualquer sofrimento me abala.
É impossível me controlar. 

Quando o silêncio não tem nada a dizer.
Sem motivos é simplesmente silêncio.
Me pergunto toda hora o porquê.
Porque se apossou de mim o silêncio.

Quando para o silêncio não existe resposta.
Quando não parece ter sentido a vida.
E no silêncio se ouve o abrir de uma porta.
E Deus te diz: Eis aqui Tua saída.





Dia e Noite.


Dia.... O dia ao contrário da noite, esconde medos, incertezas e até revelações.
O dia é amargo, insensível, corajoso, aventureiro, inescrupuloso e até agressivo.
Noite... Depois que tudo dorme, contrariando o dia, o silêncio é ameaçador, e só, me encontro em meio a medos, incertezas e muitas revelações, constatações de erros do dia encorajador e que naturalmente me leva a atitudes assustadoras. 
A noite tolerante, sensível, ponderada, meticulosa e ternamente reveladora, faz-me sentir repulsa de comportamentos e decisões diárias que não são nenhum pouco espirituais, mas se assemelham a alma, carnal, animadora e que impera o egoísmo.
O dia mostra problemas como se fossem só meus.
A noite revela coisas maiores, prioridades do espírito, partículas consideráveis e que envolvem outras pessoas.
Então sofro por não saber resolve-los durante o dia com toda essa frieza. Choro!
E então, chega a noite, que me revela o quanto fui egoísta, o quanto deixei de amar, deixei de adorar, de louvar, de acreditar, de ser mais de Cristo e menos de mim, sem esperar que alguém faça algo, pois certamente não o fará. 
E sinto calor o tempo todo, mas de repente começo a sentir frio, parece que a noite vai ter fim e outro dia esta para nascer, e nesse intervalo adormeço, logo amanhece e começa tudo de novo.
Gostaria de sentir este dia como se fosse noite, para resolver e pensar, tomar decisões com os sentimentos noturnos, mas talvez haja uma razão de não ser,  quem sabe eu precise, eu  necessite não ter medo, talvez eu tenha que me aventurar, ser mesmo corajosa, lúcida e tão abusada quanto a luz do sol, seguir  meus instintos, mas adorar, somente adorar, para que, ao invés de minha alma dominar minhas vontades, Cristo viva em mim e seja a minha entrada e minha saída, por onde quer que eu ande.
E ninguém... Ninguém fará isto por mim.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Para quem escrevo


Era pra ser diário, os desabafos e desatinos expostos aqui.
Mas algo se perdeu, mudou o rumo da vaidade, já não me entregava como deveria, mas me abstinha, pois necessitava. O que era comum de se jogar ao vento acabou se tornando rançoso e não havia mais necessidade, então morri pra isso e não mais sentia vontade sequer de ler meus desatinos já publicados. 
Escrever pra que? Bastava apenas pensar, já que ninguém ia ler, se o objetivo de quem escreve é ser percebido, a necessidade de quem se expressa é evidenciar sentimentos, mas quando alguém se interessou pelos textos, pelo tom, pela vida, pela cor, pelo cheiro provável de quem escrevia aquilo que estava abandonado, jogado, largado, fadado ao fracasso. Então mudou novamente o rumo da vaidade, me jogando mais do que devo, desesperada por expor ideias, me entregando como nunca ao dom que outrora sufocado, já que não havia ideias nem desejo notável de escrever. 
Revivi desejosamente lendo, relendo, pensando e escrevendo, confesso que está difícil pensar em voz baixa, já que em erupção acordei, devido a presença expressiva, considerável, significativa e importante do "leitor".

Espaço em mim


Não é porque falo de dor, que não me deleito no amor.
O meu amor é longânimo, me permite ser poeta e falar sem pensar, mas não é complacente, desaprova o meu erro e me ajuda a mudar, sou pecadora constante, buscando a misericórdia incessante. 
Sinto tudo que falo e falo quase tudo que sinto, não sou de escrever sem sentir e nem sempre de sentir e escrever. 
Tenho um temperamento destemperado, que nunca falta pimenta, talvez falte um chá de alecrim ou de amora, sei lá. Importante mesmo que eu quero alegar é que por mais que seja insana esta minha vida, esta minha história, creio que há sempre um pouco de razão no delírio, pois, como já disse alguém no passado, até pra ser louco tem que ser sábio.
E mesmo em meio a insensatez, o amor encontrou espaço em mim, oxalá se ocupasse o resto, e então sem espaço, o desatino teria fim. 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Adaptado




Escreveria sobre realizações, se tivesse realizado.
Falaria de meus sonhos, se os tivesse sonhado.
De coisas interessantes, se tivesse me interessado.
Sentiria saudades de um amor, se tivesse amado.
Do que é mais importante, se tivesse me importado.


Escrevo sobre o que não sei, por nunca ter aprendido.
Falo da realidade, verdadeiramente do que não realizei.
É tudo irrelevante, nada faz sentido, não tem que fazer.
Superficial o amor, os sonhos que tive,  não os sonhei.
À vontade dos outros, meus sonhos adaptei.





sexta-feira, 5 de junho de 2015

Sonhei com você


Hoje sonhei com você, nada muito importante, mas sonhei com você.
Sonhei com você, me lembro pouco do sonho, mas sonhei com você.
Sem nenhuma palavra e uma imagem só, mas sonhei com você.

A saudade doeu mais forte ontem, e ao dormir, sonhei com você.

Não sou de recordar sonhos, mas hoje eu me lembro, sonhei com você.
Sonhei que apenas passava por mim, mas sonhei com você.

Senti-me mais perto de ti, quando sonhei com você.

senti  teu cheiro em mim, quando estava a sonhar com você.
Tão forte presente e marcante, foi bom sonhar com você

Parecia que estava aqui, mas eu só sonhei com você.

Eu já sonhei outros sonhos, mas nunca tão real assim.
Ao sentir o meu corpo percebo, sua roupa estava em mim.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Anexo


Submetida a conviver com uma situação acentuada, desconfortável, mas benevolente batalha de amor, onde as opositoras sequer sabem mesmo brigar, no entanto estão sempre armadas prontas a atacar. 

Na verdade se amam e se detestam, se irritam e se dedicam, não decidem e não sabem onde querem chegar, na verdade não tem onde chegar, não tem o que ganhar, e nem percebem que estão a perder. 
Perdem um tempo que não volta mais, perdem oportunidade de viverem momentos únicos, perdem carinhos que são esperdiçados por tolices, ou será que não perdem, pois talvez imaginem que estão ganhando uma nova história, diferente do habitual. 
Tecida de intrigas, ciúmes, malícias e falta de respeito, mas que não passam de excesso de liberdade, carinho e cumplicidade. 
Conversas escandalosas que geram desconforto em todos que estão ao redor, não nas antagonistas em questão, entre elas fica ou está tudo bem, trocam favores entre gritos, desafetos, abraços, enfrentamentos, sorrisos e dessabores, seguem a vida entre consertos e estragos, harmonia ou tempestade, enquanto que eu, no meio disso tudo, desse fogo cruzado, totalmente desnorteada,  fagulhas das labaredas me atingem a todo momento, não sei como discernir quando é briga esta fadiga, ou quando é amor em meio ao clamor e a intriga. 
Só me resta participar, mesmo sem querer, desta guerra virtuosa, sem perecer ou ao menos me irritar, sofrer ou tomar partido, sem considerar alguém santo ou pervertido.
Entre uma das oponentes não posso optar de que lado devo estar, pois conheço cada uma intimamente com peculiaridades e situações dessemelhantes, porém o amor é congênere não tem como aquilatar ou descrever, é difícil entender e nem posso defender, nem tão pouco ajudar, a não ser amar e amar, de maneira especial, cada uma, cada qual.
E finalizando este conto pra ficar bem entendido, com uma frase curta e explicativa sem prologar a história, a verdade é que o meu apego e meu pespego se explicam facilmente assim.
É que, eu saí de dentro de uma,
 e a outra saiu de dentro de mim. 

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Títulos



A muitos dias tenho pensado sobre algumas coisas, mas por um motivo ou outro não tive como escrever, não são coisas importantes, de grande valor, só ideias mesmo, coisas que me vem a memória ou simplesmente surgem de uma vez sem ao menos ter pensado nisso antes, mas que no final do raciocínio me levam a um final revelador e grandioso. Engraçado isso, pois, parece que já pensei sobre tudo nessa vida, não que eu seja assim tão velha, mas eu diria que o compartimento de lembranças do meu cérebro é mais cheio do que de alguém com o dobro da minha idade, olha que só vivi menos da metade da minha vida e se tiver sorte e Deus me permitir vou alcançar a média de simples mortais.

Sempre tive uma percepção muito rasa sobre o amor, se tratando de relacionamentos sentimentais, amorosos ou seja, conjugais, pra mim amor poderia ser comparado a títulos de filmes, letras de músicas, refrões de poesias, frases de pára-choques de caminhão e por aí vai. Por exemplo, sempre gostei de um filme, então quando vivia algo semelhante ao filme, relacionava isso ao título do filme, então como a maioria de meus relacionamentos eram curtos eu poderia chamar de "Doce Novembro". Como nunca me preocupei com os sentimentos de quem quer que fosse se eu quisesse acabar sem motivo algum, aparentemente, caberia a frase de caminhoneiro que diz: "Se me odeia, deita na BR". Aqueles que nunca dão certo, que algum amigo ou familiar nos aproxima na tentativa de desencalhar os dois, cabe muito bem um título de um filme antigo, recordista na seção da tarde a alguns anos atras "Operação Cupido", mas nem com "Abracadabra" inserido no meio de tudo daria certo. Me ocorreu agora um título importantíssimo que nem havia pensado antes, "Beethoven, O Magnifico", a gente conhece pensando que se trata do artista, do grande Beethoven, mas não demora nada pra você ver que é só um belíssimo animal que nem sabe falar, muito menos conversar, trocar ideias, enfim, se relacionar. Um título bem comparado a minha vida sentimental também, eu diria que talvez seja um dos mais adequados é o daquele filme com Heath Ledger, "10 Coisas que eu Odeio em você", mania de apontar os defeitos do outro, tendo assim motivos para acabar o romance. Falando em romance vou abrir um parentese aqui para falar de dois títulos, primeiro de um livro, o primeiro que li, então tentava encontrar alguma coisa que tivesse semelhança em minha vida pelo menos até a adolescência, só que não houve a menor possibilidade de acontecer isso, nunca cheguei a encontrar "O Pequeno Príncipe", vindo a seguir "Meu Primeiro Amor". Mas acho que não fui a única, nem a primeira ou a ultima a me frustrar na adolescência com esses meninos insensíveis e que sequer faziam ideia que do que as meninas esperavam deles, e esperam até hoje, atitudes. Fechando parentese.

Por incrível que possa parecer, o título e também o filme que mais marcou por ter feito parte da minha vida por vários anos carregando fantasmas foi "Ghost - do Outro Lado da Vida".  Primeiro, não tem nada a ver com o assunto em questão, mas eu era muito parecida com Demi Moore modéstia à parte, sem a menor prepotência, pois pra mim isto é irrelevante, mas,  coincidentemente até o mesmo corte de cabelo, cheguei no cinema, tranquila, mas na saída foi muito engraçado, todos falavam comigo, emocionados, pois o filme foi emocionante, impressionados com a semelhança, apesar de que eu mesma não achava tanto assim. Voltando ao assunto, esta semelhança me rendeu um namoro, que, por mais incrível ainda que pareça, ele morreu também, como o Sam, personagem de Patrick Swayze no filme. O fantasma não me perturbou como perturbou Molly, mas de forma diferente, eu diria que muito pior e durante anos e anos da minha vida, me fazendo viver insegura e colecionando muitos títulos estranhos, complicados, tristes, falsos, dolorosos ou simplesmente títulos inventados até que um dia senti que ele se foi, depois de muitos anos e de muitas tentativas de me ver livre dele, simplesmente o esqueci e ele se foi. Quando ele se foi, percebi que não tinha um amor verdadeiro por ele, mas simplesmente se tornou um escape, uma barreira me impedindo de ser feliz de verdade, esta barreira só pôde ser quebrada quando senti o amor de verdade, hoje não sinto mais a presença de Ghost algum em minha vida pois esta questão foi finalmente resolvida, creio que isto também era um termômetro em meus sentimentos e até posso dizer que deveria agradecer muito a Deus por isso, por causa disso não tive ainda um título permanente e pude chegar até aqui, com uma certeza que nunca tive antes, de que tudo é diferente, estou só, e só estou a me entregar a um amor que por enquanto só posso dizer que não tem título, talvez nem tenha, ao invés disso uma frase de  final de contos de fadas. Mas ao invés de dizer que viveram felizes para sempre, posso dizer que caberia acreditar em; 
"E Viverão Felizes Para Sempre"!