segunda-feira, 1 de junho de 2015

Títulos



A muitos dias tenho pensado sobre algumas coisas, mas por um motivo ou outro não tive como escrever, não são coisas importantes, de grande valor, só ideias mesmo, coisas que me vem a memória ou simplesmente surgem de uma vez sem ao menos ter pensado nisso antes, mas que no final do raciocínio me levam a um final revelador e grandioso. Engraçado isso, pois, parece que já pensei sobre tudo nessa vida, não que eu seja assim tão velha, mas eu diria que o compartimento de lembranças do meu cérebro é mais cheio do que de alguém com o dobro da minha idade, olha que só vivi menos da metade da minha vida e se tiver sorte e Deus me permitir vou alcançar a média de simples mortais.

Sempre tive uma percepção muito rasa sobre o amor, se tratando de relacionamentos sentimentais, amorosos ou seja, conjugais, pra mim amor poderia ser comparado a títulos de filmes, letras de músicas, refrões de poesias, frases de pára-choques de caminhão e por aí vai. Por exemplo, sempre gostei de um filme, então quando vivia algo semelhante ao filme, relacionava isso ao título do filme, então como a maioria de meus relacionamentos eram curtos eu poderia chamar de "Doce Novembro". Como nunca me preocupei com os sentimentos de quem quer que fosse se eu quisesse acabar sem motivo algum, aparentemente, caberia a frase de caminhoneiro que diz: "Se me odeia, deita na BR". Aqueles que nunca dão certo, que algum amigo ou familiar nos aproxima na tentativa de desencalhar os dois, cabe muito bem um título de um filme antigo, recordista na seção da tarde a alguns anos atras "Operação Cupido", mas nem com "Abracadabra" inserido no meio de tudo daria certo. Me ocorreu agora um título importantíssimo que nem havia pensado antes, "Beethoven, O Magnifico", a gente conhece pensando que se trata do artista, do grande Beethoven, mas não demora nada pra você ver que é só um belíssimo animal que nem sabe falar, muito menos conversar, trocar ideias, enfim, se relacionar. Um título bem comparado a minha vida sentimental também, eu diria que talvez seja um dos mais adequados é o daquele filme com Heath Ledger, "10 Coisas que eu Odeio em você", mania de apontar os defeitos do outro, tendo assim motivos para acabar o romance. Falando em romance vou abrir um parentese aqui para falar de dois títulos, primeiro de um livro, o primeiro que li, então tentava encontrar alguma coisa que tivesse semelhança em minha vida pelo menos até a adolescência, só que não houve a menor possibilidade de acontecer isso, nunca cheguei a encontrar "O Pequeno Príncipe", vindo a seguir "Meu Primeiro Amor". Mas acho que não fui a única, nem a primeira ou a ultima a me frustrar na adolescência com esses meninos insensíveis e que sequer faziam ideia que do que as meninas esperavam deles, e esperam até hoje, atitudes. Fechando parentese.

Por incrível que possa parecer, o título e também o filme que mais marcou por ter feito parte da minha vida por vários anos carregando fantasmas foi "Ghost - do Outro Lado da Vida".  Primeiro, não tem nada a ver com o assunto em questão, mas eu era muito parecida com Demi Moore modéstia à parte, sem a menor prepotência, pois pra mim isto é irrelevante, mas,  coincidentemente até o mesmo corte de cabelo, cheguei no cinema, tranquila, mas na saída foi muito engraçado, todos falavam comigo, emocionados, pois o filme foi emocionante, impressionados com a semelhança, apesar de que eu mesma não achava tanto assim. Voltando ao assunto, esta semelhança me rendeu um namoro, que, por mais incrível ainda que pareça, ele morreu também, como o Sam, personagem de Patrick Swayze no filme. O fantasma não me perturbou como perturbou Molly, mas de forma diferente, eu diria que muito pior e durante anos e anos da minha vida, me fazendo viver insegura e colecionando muitos títulos estranhos, complicados, tristes, falsos, dolorosos ou simplesmente títulos inventados até que um dia senti que ele se foi, depois de muitos anos e de muitas tentativas de me ver livre dele, simplesmente o esqueci e ele se foi. Quando ele se foi, percebi que não tinha um amor verdadeiro por ele, mas simplesmente se tornou um escape, uma barreira me impedindo de ser feliz de verdade, esta barreira só pôde ser quebrada quando senti o amor de verdade, hoje não sinto mais a presença de Ghost algum em minha vida pois esta questão foi finalmente resolvida, creio que isto também era um termômetro em meus sentimentos e até posso dizer que deveria agradecer muito a Deus por isso, por causa disso não tive ainda um título permanente e pude chegar até aqui, com uma certeza que nunca tive antes, de que tudo é diferente, estou só, e só estou a me entregar a um amor que por enquanto só posso dizer que não tem título, talvez nem tenha, ao invés disso uma frase de  final de contos de fadas. Mas ao invés de dizer que viveram felizes para sempre, posso dizer que caberia acreditar em; 
"E Viverão Felizes Para Sempre"!

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